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2025-04-12O Uso Consciente da Tecnologia: Educação Digital é a Chave para Evitar o Vício
A doutora em saúde mental e fundadora do Instituto Delete, Anna Lucia Spear King, destaca que acordar e verificar o celular ou utilizar telas durante as refeições não necessariamente caracteriza um problema patológico. Em vez disso, pode ser apenas falta de educação digital.
Segundo King, impor limites é fundamental para evitar prejuízos do uso exagerado e impedir o avanço para o quadro de dependência excessiva, que é mais difícil de reverter.
As pessoas confundem, acham que só porque usam todos os dias por muitas horas, são viciadas no rigor da palavra. Mas não é verdade. Elas são, às vezes, mal educadas. Usam sem hora, sem limites e regras, mas não precisam de tratamento. Precisam de educação digital.
É importante distinguir entre a pessoa que usa telas todos os dias e por muitas horas para trabalhar daquela com dependência patológica, conhecida como nomofobia (transtorno psicológico que se caracteriza pelo medo irracional de ficar sem um celular ou outros eletrônicos e telas).
A busca pelo tratamento acontece quando torna-se perceptível algum sinal de prejuízo seja na área pessoal, social, familiar, acadêmica ou profissional.
A especialista também destaca que curtidas e comentários nas redes sociais funcionam de forma bem parecida com o prazer e a diversão oferecida pelos jogos — agem liberando substâncias químicas no cérebro, como dopamina, endorfina e serotonina, direto setor de recompensa.
Quanto às crianças e adolescentes, King alerta que pais e adultos que moram com eles são responsáveis pela vida digital deles. É fundamental evitar que eles fiquem o dia inteiro sozinhos no quarto jogando ou usando a internet sem supervisão de um adulto.
Bons Hábitos para Adotar
A boa notícia é que há maneiras de evitar adoecer mentalmente e virar escravo da dependência digital. Contudo, o processo exige algum esforço e mudanças na rotina que precisam ser levadas a sério todos os dias para que se obtenham resultados satisfatórios.
De acordo com a especialista, são eles:
- Evite usar logo que acordar. Levante-se da cama, tome o café da manhã;
- Evite usar na hora das refeições (curta a comida, sinta o gosto);
- Desligue duas horas antes de dormir para relaxar o cérebro;
- Evite usar em locais públicos como ônibus, metrô, em salas de espera;
- Evite usar quando sai com amigos, vai a restaurantes ou festas, dê atenção para as pessoas que estão ao redor de você e não fique no celular;
- Para quem trabalha, tente usar a tecnologia apenas em horário comercial;
- Estabeleça limites de horários e evite atender demandas fora do expediente;
- Quando estiver no trabalho, evite usar para fins pessoais em demasia;
“Nós, do Instituto Delete, não somos contra o uso de tecnologias, pelo contrário, nós somos super a favor, mas que seja usada de modo consciente para que você colha os benefícios e evite os prejuízos que o uso excessivo pode trazer”, finalizou King.
O Instituto Delete foi criado em 2013, dentro do Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), pioneira no Brasil e também uma das primeiras no mundo voltada à pesquisa sobre o impacto das tecnologias na saúde e às orientações sobre o uso consciente das telas e a dependência digital.
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